O Sol sempre foi um emblema da permanência, um ídolo de pedra erguido sobre o fantasma do imóvel, do essencial, do substancial. Mas nós cuspimos nessa fábula. Não queremos eternidades pálidas, nem fundamentos mumificados. A imutabilidade é um delírio, uma sombra projetada por olhos temerosos da vertigem da vida! O real é sangue quente, é fluxo, é rizoma que se espalha e se entrelaça em múltiplas direções, é uma embriaguez de forças insurgentes.
Os deuses são nômades!

O anseio pela identidade, certamente, não é apenas capricho do homem moderno; o antigo também a buscava, mas o fazia como quem dança à beira…

Assim é o sevo, inefável, irresistível raio,Aguda seta do arrojador flamanteQue faz a terra tremer — e o mar se lhe resplandece — Causando estupor…

O homem persiste na errância. E persiste porque, no âmago de sua perplexidade, não apreende que o ser não é uma realidade transcendente, um deus…

O sangue dos heróis está mais próximo de Deus do que a tinta dos sábios e as orações dos devotos.(Evola. Metafísica da Guerra) O homem…




Eis por que devemos reivindicar um novo Sol — ou melhor, resgatar o Sol que sempre ardeu diante de nossos olhos! Não precisamos de um Sol fossilizado, mas de um Sol de carne e furor! Não de uma luz que petrifica, mas de uma que incendeia, que sangra, que devora! O fundamento? É fluxo, é lava, é pulso que arrebenta, que se contorce e renasce sem cessar! Eis o novo Sol: um Sol de sangue, um Sol bárbaro, um Sol que dança!

— D.H. Lawrence. “The Plumed Serpent”